Essa semana a mulherada andou trocando um e-mail intitulado "Descreva-me". A brincadeira era responder definindo a outra pessoa com apenas uma palavra. Não acho difícil descrever alguém em apenas uma palavra. Ao contrário, acho até mais fácil do que escrever um tratado. A idéia bem que poderia pegar, assim resumiríamos cartões de aniversário a apenas uma palavra. Mas com a pressa e a correria acabei não respondendo nenhum dos emails.
Só que durante a semana estivemos juntas, quase todas as que haviam enviado os emails. O resultado foi uma dose cavalar de auto-estima coletiva. A mim coube a seguinte descrição: habilidosa, incrível, criativa, Ilma, aqui, leia-se pessoa ilustríssima, transcendental e altoastral. Neste caso, como só podia uma palavra, nos permitimos uma licença poética de assassinar por um pequeno instante a língua portuguesa.
Enquanto escrevo pula-me na memória o grande e maravilhoso poeta amazonense Thiago de Mello, sempre vestido de branco, autor de 30 livros de poemas sobre a Amazônia e o meio ambiente. Sua obra mais conhecida é "O Estatuto do Homem", onde decreta que "todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo" ou que nada será obrigado nem permitido. Tudo será permitido, sobretudo brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Seguimos com as benditas descrições. Faltam seis. A R é amorosa, zen, sentimento, paciente, iluminada e meiga. A M é divertida, amorosa, sincera, iluminada, transparente e humana. A outra M é leal, sentimental, dinâmica, camaleão, energia e amiga. A terceira M é amiga, contagiante, comprometida, inebriante, alegria e eletrizante. A C é serenidade, meiga, amiga, eficiente, vulcão e discreta. A G foi a única que recebeu sete descrições. Teve gente que não se conteve na explosão dos sentimentos. Ela é equilibrada, amiga, honesta, coração, lealdade, habilidade e espirituosa.
Bem, vocês devem estar se perguntando como é que eu consegui gravar na memória todos esses maravilhosos atributos. A M escreveu tudo pra mim num guardanapinho de papel.
Pequeno detalhe: junto com todas as descrições estava escrito Sant alma. Como eu não lembro absolutamente o que isso significa me permito deduzir que somos todas verdadeiramente Sant almas, ou seja, saltas almas que ainda conseguem encontrar tempo para fazer uma das melhores coisas da vida: não fazer nada ao lado dos nossos melhores afetos.
Andréa Muller
Jornalista
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