segunda-feira, 26 de julho de 2010

On line, por que não?

Existe uma discussão recente sobre a terapia feita via computador, a webterapia. Os conselhos profissionais que regulamentam a profissão têm restrições. Eu, particularmente não tenho nenhuma. Mas antes que comecem a me jogar pedras e a dizer que eu não tenho nada a ver com isso já vou logo avisando: isso é apenas uma crônica e eu uma jornalista que por coincidência faz psicoterapia.

Estamos na era do computador, sim estamos! E ele é sensacional quando bem usado. É uma ferramenta que resolve muitas coisas. Com o computador você trabalha, lê, pesquisa, se diverte, interage, faz compras, vê filmes, namora, mata a saudade de quem você não vê todo dia. Uma amiga minha fez entrevista de emprego pelo computador e foi selecionada para trabalhar em uma empresa do Pará.

A mídia mais rápida até a chegada do computador era o rádio e continua sendo. Ele não perdeu a sua função desde que o computador foi criado. São ferramentas distintas. O computador é útil quando é bem usado e, não vamos dourar demais a pílula, ele tem limites. O computador também não acabou com os jornais impressos nem com as revistas. Com o computador podemos buscar a informação, não precisamos ficar esperando por ela. Ele é mais um meio de comunicação, indiscutivelmente, importante. Usado com bom senso o computador é tudo de bom. Ele não substitui as pessoas, os beijos, os abraços, os cheiros, mas ele te leva até as pessoas, até a informação, aos fatos e nunca substituirá nada do que é mais bem feito ao vivo e a cores. Ao contrario, é capaz de aguçar esses desejos. Convenhamos: não se pode beijar pelo computador.

Eu acordei me sentindo o bichinho da goiaba, meu cabelo está horrível, não fiz pé nem mão, comi feito um javali no fim de semana e ainda por cima, pra completar, chove lá fora. Qual o problema de eu ficar em casa e comprar aquele livro que eu tanto quero pelo computador. Outro dia, acordei o oposto: linda, loura e magra, a própria Maitê Proença encarnada. Neste dia eu resolvo ir pessoalmente à loja e comprar olhando nos olhos do vendedor. Qual o problema?

Eu faria terapia via computador com toda a certeza. Não vejo nenhum problema. Terapia é conversa, é troca, é apoio firmado pelo diálogo. Conversando a gente se entende e hoje, conversar é a coisa mais fácil que existe, também, graças ao computador. A questão é se queremos conversar ou somente teclar.


 


 

Andréa Muller

Jornalista

 

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