O zoológico é um daqueles passeios praticamente obrigatórios na nossa existência. Passar pela vida e não visitar o zoológico é como ir a Roma e não visitar o Vaticano, ir a Paris e não visitar o Museu do Louvre, ir a Buenos Aires e não visitar o Caminito. Pois bem, no último feriadão eu me aventurei em uma ida ao Zoológico acompanhada de três pessoas, elas me fizeram jurar que eu não diria quem são. Ok vou respeitar.
Que eu lembre, a última vez que fui ao zoológico eu deveria ter uns nove anos de idade e ainda andava de mãos dadas com meus pais. Depois disso, acho que foi agora, aos quarenta e três. O zoológico continua exatamente o mesmo, não mudou absolutamente nada. O lugar continua honesto nas lembranças.
O lugar me lembra um cheiro forte, uma mistura de fezes de diversos animais com cheiro de gambá ou zorrilho, sei lá. Esse cheiro ainda está lá! É o cheiro característico do lugar.
Em relação às comilanças a honestidade também permanece. Lá ainda se vende o que se espera de um Zoológico, ou seja, pipoca, algodão doce e maça do amor. Graças a Deus, os chips, os crepes, e o Mcdonalds estão longe desse lugar, ainda.
Todos aqueles animais que povoam nosso imaginário infantil continuam lá para a alegria de seus visitantes. Avistei muitas crianças e jovens acompanhados de seus pais, tios, madrinhas, avós, enfim gente querida que levava pela mão gente querida também. Até porque ninguém vai passear no zoológico com seus desafetos. É um risco.
O leão está velhinho velhinho, mas ainda consegue uivar de forma amedrontadora como convém ao Rei da Selva. Seguem vivendo um anoitecer após o outro os macacos, urso, zebras, antas, girafas, cobras, tartarugas, elefantes, hipopótamos, camelos, jabuti, lobos, jacarés e uma centena de aves coloridas de verdade. Aquilo é que é policromia pura.
Foi um passeio agradável se não fosse por um detalhe: o local é extremamente mal sinalizado e eu acabei caminhando além da conta por um caminho que eu imaginei que daria na saída. Morta de cansaço refiz o caminho de volta porque a saída era para o lado oposto. Eu já estava me sentindo a própria vovozinha sendo comida pelo Lobo. O sol se pondo e eu presa lá dentro. Sinceramente, esqueci minha idade. Senti-me uma garotinha assustada, usando rabo de cavalo e com o coração que parecia querer saltar pela boca. Ainda bem que as minhas três acompanhantes nem perceberam, porque ali eu era a mão que segurava as outras e dessa mão nunca se espera a fraqueza, embora ela exista também.
Andréa Muller
Jornalista
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