Prá gente ser feliz tem que cultivar as nossas amizades, os amigos de verdade. Prá gente ser feliz... Eu compartilho dessa verdade cantada por Toquinho e vou além: no coração daqueles que gostam de amigos sempre cabe mais um.
Tenho amigas de várias épocas. Não vejo algumas há bastante tempo, mas continuamos amigas. Lembro como se fosse hoje de um encontro que fizemos em janeiro de 1999 em um bar de Porto Alegre. Éramos cinco. O papo corria livre e quando fizemos as contas, descobrimos que nos conhecíamos há quase dez anos. Dez anos! Hoje, fazem mais de 20 e continuamos amigas. Amizade não envelhece.
Nossa amizade nasceu do trabalho. Todas, em algum momento, dividimos o suor pela mesma empresa. Tínhamos vinte e poucos anos, muitos projetos, mínimas contas, gostos menos sofisticados e poucas marcas. Hoje, a lista é imensa: prestação do carro, casa, celular, supermercado. E as marcas, Ah! As marcas: lâncome, clinique, pequenos detalhes que revelam a passagem do tempo. Só o amadurecimento, a segurança de uma renda nossa ou do marido (por mais que sejamos feministas até embaixo d'água) nos permite certas contas e preferências. Quando nos conhecemos, éramos mais simples, o que quase todo mundo é quando tem vinte e poucos anos: pouca grana, muita sede de viver e virar gente grande.
Dia desses saí com outro seleto grupo de amigas. Somos dez e temos um Clube que não posso revelar o nome. Mas é classudo. Todas únicas e ao mesmo tempo tão iguais depois do primeiro gole. Pode faltar saliva, mas assunto jamais. Encontramo-nos menos do que gostaríamos. Se a preguiça não nos contaminar, tomara que não, se uma sempre tomar a iniciativa, tomara que sim, a gente vai continuar encontrando-se pelos anos afora, em volta de uma mesa e fazendo a nossa terapia em grupo, atualizando assuntos profissionais, falando de e sobre os maridos, filhos, namorados. Falando coisas que os homens não entendem. Melhor assim.
O simples fato de cada uma abrir sua boca e dramatizar, sim porque mulheres não falam, elas encenam o que lhes acontece, o que as aflige, o que está tão bem. De A a Z tudo tem o dom de aliviar, acalmar, tornar tudo mais real, pra quem fala e pra quem escuta. Se às vezes só rolam assuntos do passado, parece uma volta ao tempo e, quando acaba, pisamos no chão para ter a certeza de que estamos em 2010.
No abrir e fechar de potes de cremes diários sempre lembramos umas das outras, com amizade, com preocupação e com pautas para os próximos encontros.
Andréa Muller
Jornalista
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