Estou mega atrasada com esta crônica. Meu compromisso é enviá-la sempre as segundas-feiras para a queridona da minha editora. Desde que comecei a escrever, em outubro de 2009, não falhei no prazo um dia sequer. Dessa vez, é terça-feira, e eu ainda estou aqui na introdução, sem ter a mínima idéia de como encher essa página com dois mil e quatrocentos toques. Pensei em falar sobre o título do último livro que minha filha comprou e que chegou ontem pelo correio "As vantagens de ser Invisível". Não achei nenhuma inspiração, mas talvez volte ao tema porque creio seria uma experiência fascinante. Pensei em escrever sobre o meu sábado, quando fui à festa junina da Escola e passei uma tarde super agradável de um inverno totalmente com cara de verão, sentada em baixo da árvore com outras mães falando de filhos, de soltar ou puxar a corda da educação, comparando a nossa com a deles etc. Eu continuo achando que aquela liberdade que a gente tinha de ir e vir foi o melhor da nossa juventude. O máximo que a gente encontrava pelo caminho eram os tarados, aqueles desocupados que ficavam na beira dos parques e quando as mocinhas passavam eles abriam a bragueta e a gente saia correndo. Esse era nosso maior perigo. Mas eles eram apenas exibicionistas inofensivos. Nunca li nas manchetes dos jornais que nenhum tenha atacado ninguém.
Hoje, somo mães lotação – nada parecido com o filme "A dama da Lotação" que consagrou Sônia Braga. Vivemos em cima do carro levando e buscando filhos para todo o lado porque simplesmente não podemos deixá-los ir sozinhos porque correm o risco de voltar sem os tênis e o celular. Acho que só deixaremos de ser Kombi escolar quando eles virarem motoristas porque andar a pé virou coisa perigosa. Ou será que é exagero nosso?
Pensei em falar sobre a história engraçada que uma amiga me contou. Ela estava na fila dos pães no supermercado e na frente dela havia uma mulher bem gorda. Ela, a minha amiga, vive de regime, pra magra ela não serve, assim como eu. Quando a balconista perguntou pra moça o que ela queria ouviu: dois sonhos de doce de leite. O pensamento das mulheres é espetacular. Minha amiga pensou rapidamente por isso que é gorda, a essa hora da tarde entrar na fila para pedir dois sonhos e mais nada. Quando chegou a sua vez, minha amiga toda prosa respondeu a pergunta da balconista. Pra senhora? Seis cacetinhos. Algo mais? Dois sonhos de doce de leite. Toma. Adeus regime. Esse sonho deve ser um espetáculo.
Andréa Muller
Jornalista
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