Li na imprensa que a Internet comemorou 40 anos dia 29 de outubro. Mas, pra valer mesmo, acho que ela se incorporou na vida da gente há menos tempo, mas já é indispensável. Quem ainda recebe cartões postais e cartas escritas em papel de seda? Eu mantenho uma caixa de sapato, forrada de papel, já velhinha, com cartas que troquei com gente querida e distante. Algumas escritas a mão, outras com máquina de escrever eletrônica. Era um luxo aquelas Olivetti com corretivo. A gurizada não tem noção do que seja uma máquina de escrever elétrica e selos. Só quem têm pais saudosistas guarda essas relíquias. Não é o meu caso, eu guardo poucas. Minhas lembranças afetivas estão todas impregnadas na minha pele. As fotografias eram um acontecimento. Mandar revelar e esperar três dias para ver. Hoje, as máquinas digitais tiram fotos que raramente vemos ou compartilhamos, não estão ao alcance da mão, não recheiam aquele baú de recordações.
Não estou me queixando, de jeito nenhum. A vida é dinâmica. Gosto de hoje tanto quanto gostava de ontem. É apenas diferente e, como tudo, tem dois lados.
Outra coisa maluca é ir ao supermercado. É um programa de proporções imprevisíveis. Não dá pra dizer vou ao super e volto já. Não se volta. É mentira. A oferta de produtos é tão grande que enjoa. É olha que sou consumista. Xampu para cabelos lisos, crespos, normais, secos, cacheados, loiros, pretos, com sal, sem sal, para dar ou tirar volume, para realçar luzes. Sabão em pó então, para roupas brancas, coloridas, com perfume de lavanda, de lírios, de jasmim, de coco, com amaciante. Já foi mais fácil. Havia duas marcas de sabão em pó, o Omo e o outro, mais barato. Moleza. Quando o dinheiro estava sobrando pegava-se o caro, em tempo de vacas magras se pegava o outro.
Hoje é preciso parar em cada corredor e ficar horas escolhendo a marca, o preço e o princípio ativo. O que se quer é a roupa limpa, que o que é branco fique branco e o que é colorido se mantenha. Simples. E o álcool então, agora existe em gel e pasmem: fui queimar uns carrapatos (nessa época eles invadem os pátios e nossos cãezinhos) num potinho com álcool e atirei um fósforo, dois, três e nada de pegar fogo. Peguei o rótulo e bem pequenininho estava escrito: impróprio para queima. Álcool serve para quê senão limpar vidros e queimar? Uma das poucas coisas ainda agradáveis de comprar é o leite condensado. São no máximo quatro opções.
Cachorros a gente também conhecia poucos. Era vira-lata, buldogue, pequinês e ponto final. Presente de quinze anos? Os pais davam a primeira jóia, um anel do tipo solitário ou chuveirinho de brilhantes, as madrinhas aquela caixinha porta-jóias com a bailarina rodopiando ao som de Pour Elise. Alguns porta-retratos, o primeiro perfume francês e era isso. Hoje, não me atrevo nem a comentar.
Andréa Muller
Jornalista
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