Sou convicta de que a gente aprende todos os dias com qualquer pessoa, amiga íntima, colega de trabalho, caixa do supermercado, flanelinha, vizinho, filhos, pais, marido. Basta estar aberto e atento. Eu peco um pouco nesse ponto. Não que eu seja uma mongolona, não é isso, mas às vezes sou ingênua. A lança está apontada para mim e eu acho que não. Mas, quem tem amigos tem tudo. E eu tenho os imprescindíveis. Minha amiga observadora como uma águia sempre consegue me abrir os olhos e me salvar de ser devorada. Convivo com outra que, não sabe, mas é fisioterapeuta e das boas. Consegue colocar meu corpo e minha alma de pé depois de qualquer tormenta.
Eu acho que falo pouco para a minha mãe as coisas importantes que ela me ensinou e, também, as lacunas imensas que ela deixou. Mas, nossas expectativas jamais serão vencidas. Eu trago isso bem claro comigo e, por enquanto, tem evitado que os tombos tenham conseqüências mais graves. Já parei na UTI, mas foram bem poucas vezes e as seqüelas são quase imperceptíveis. Nessas horas, sempre tive muitas mãos estendidas.
Mas, voltando à mamãe. Era bonitinho antigamente quando os filhos chamavam assim seus papais. Hoje, conta-se nos dedos quem ainda fala desse jeito. Parece tão burocrático. No meio de tantas ausências, como por exemplo, nas reuniões de escola porque minha mãe trabalhava duro para manter uma família de classe média com quatro filhos que estudaram somente em escolas públicas; passavam roupas uns para os outros e comiam mais guisado do que filé mignon, criou-se uma saudável independência antes da hora. Hoje salve salve, pois ela vale milhões.
Mas, são inesquecíveis aqueles domingos, em que ficávamos todos juntos mais os agregados para comer arroz com galinha feito na panela de ferro. Aliás, casa sem agregados não é casa de mãe que se preze.
As ausências podem virar traumas e levar jovens a praticarem bobagens, mas somente a ausência total. Quando ela é parcial e bem fundamentada, tende a levar as pessoas à luta, a independência, ao se vira nos trinta. Tenho duas filhas do coração que perderam pai e mãe abruptamente antes da hora. Poderiam ter se perdido na vida, mas, ao contrário, viraram doçuras de pessoas, empenhadas em fazer o bem, em ter um final feliz. Nunca as vejo se queixarem. Eu, burra velha, às vezes sou puxada por elas que enxergam solução para tudo.
Isso me leva a pensar que várias coisas conspiram para que sejamos seres humanos saudáveis. Ocorre-me agora que ser amado, ter um porto seguro, ouvir os mais velhos, levar puxões de orelha na hora certa, perseguir a paz, ter a consciência tranqüila e seguir os dez mandamentos são um bom começo.
17/11/09
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