domingo, 7 de março de 2010

Otimismo faz bem

Não me atrevo a competir com jornalistas esportivos, mas vou dar um pitaco no Rio 2016. É uma vitória para o Brasil que o Rio de Janeiro tenha vencido a competição para sediar os próximos jogos olímpicos. Mas é uma vitória maior ainda para os brasileiros bairristas e otimistas, aqueles de coração verde e amarelo. Falo de gente humana, empolgada e vibrante. Aquela porção que faz muito com pouco, que chora até mesmo vendo o Caldeirão do Huck. Aqueles que mantêm os pés no chão mas o coração não se cansa de sonhar. É essa gente que dá cor ao mundo e que, certamente, irá pintar sua cara com as cores da bandeira no dia deste grande evento. Pintarão um mês antes, de véspera. Aliás, já estão pintados porque a comemoração já começou. Ela teve início no exato instante do anúncio dessa vitória. Começou com o discurso do presidente da república, com os abraços dos executivos engravatados que estavam lá, ao vivo. Tão ao vivo quanto eles, milhões de telespectadores também se abraçaram e vibraram com a notícia espalhada instantaneamente por todas as mídias. Os otimistas, é claro. É deles que estou falando. É deles de quem sou fã. É com eles que quero estar em 2016.

Esqueça a pobreza, as drogas, os assaltos, a falta de saúde pública, a má remuneração dos professores, a miséria, a falta de saneamento básico, a poluição, a camada de ozônio. Deixe de lado a preocupação com o aluguel, com o carnê das lojas Renner, o cartão hipercard que vence dia vinte e cinco. Essas grandes e importantes questões ainda serão problema em 2016, independente da realização das Olimpíadas no Brasil.

Os pessimistas tentarão convencê-lo, a todo o custo, de que não realizar os Jogos Olímpicos no Brasil poderia resolver todos esses problemas. Não é verdade. O evento não pode ser responsabilizado pela solução ou não dos problemas do nosso país. O mundo ideal depende muito de cada um de nós. Não virá do céu e vai precisar de muito empenho e de bons exemplos. Uma competição olímpica é, sem dúvida, um exemplo generoso. É uma prova real de que esforço combinado com anos de treinamento é indispensável para que um atleta esteja finalmente pronto para competir e lutar por suas medalhas.

Ah! E, os pessimistas deveriam fazer uma reflexão ou um exercício de futurologia. Se ficassem ricos da noite para o dia, ganhando na mega sena, será que deixariam de ser o que são? Tenho minhas dúvidas.


Andréa Muller

Jornalista

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