domingo, 7 de março de 2010

Mães vivem mais

Eu sou mãe. Nenhuma veio com manual de instruções e eu penei para decifrar cada sinal até que elas finalmente aprenderam a falar. Mas valeram todos os medos, angústias, erros e acertos. As noites em claro não! Essas não valeram nada. Um dos grandes defeitos dos bebês é que eles não gastam a pilha. Se o ditado "filhos crescidos trabalho dobrado" está certo, ainda tenho muito chão pela frente. Ser mãe ensina muitas coisas. Eu passei a valorizar mais a minha. Aprendi, também, que mães fazem tudo para acertar e quase nunca conseguem. Mães, também, vivem em dobro, triplo e assim por diante, dependendo do tamanho da sua prole. Que mãe não revive seus próprios momentos quando as filhas entram para a escola, terminam a primeira série, ficam mocinhas, perdem os dentes, enchem a cara de espinhas, pintam as unhas pela primeira vez? Se existe um jeito da gente viver mais a receita é ser mãe.

Tento convencer algumas amigas de que ter um filho só é pouco, que o segundo é muito mais fácil, em todos os sentidos. Eu tinha uma filha e não pensava em ter outra, de jeito nenhum! Fui doando as roupinhas a cada centímetro que a menina esticava. Guardar para o outro? Que outro? Nem pensar! Eu seria mãe de uma só. Quando a minha primogênita; minha filha única; milha mais velha; meu bebê estava com exatos seis anos, rumo à independência, eis que a cegonha bateu em minha porta. Sem enjôos, desejos ou aviso prévio eu estava grávida de três meses. Fiz o teste de gravidez (aqueles de farmácia) e quase não acreditei quando o resultado foi positivo. Demorei quase um mês para assimilar que eu seria mãe de dois filhos, que toda vez que preenchesse um cadastro, sempre que perguntassem tem filhos? Minha resposta seria sim. E quando viesse a pergunta seguinte: quantos? Minha resposta seria: duas.

O fato é que o segundo filho é simplesmente maravilhoso, é o avesso da primeira experiência. Aliás, o primeiro é um estágio, o segundo é, realmente, a aplicação do que se aprendeu com o primeiro.

Engordei a metade, entrei e sai da maternidade de batom, nunca fui ao berço ver se a minha segundinha, meu bebê, meu docinho, estava respirando, não usei termômetro na água do banho, não olhei atravessada para ninguém que quis pegá-la no colo, não lavei as mãos milhares de vezes antes de tocá-la e não fervi nenhum bico ou mamadeira até derreter. Encontrei o significado de dar o peito. Ainda sou mãe de duas. Não pense que a segunda morreu por infecção.


Andréa Muller

Jornalista

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