domingo, 7 de março de 2010

Gestão por todos os lados

Nos escritórios pratica-se a gestão de resultado. São planilhas e planilhas de Excel que vão monitorando os objetivos, as metas, indicadores a serem acompanhados, linhas de tendência, desvios do negócio, mudanças de cenário. O que fazer, como e em que tempo para atingir os resultados esperados? Reuniões de alinhamento, propostas assertivas. Quando precisamos apresentar uma nova idéia a embalamos num caprichado Power Point, cheio de gráficos coloridos. E em nossa casa e com nossos amores como procedemos? Arrisco e, acho que não erro, que em nossa vida pessoal o papo é outro.

Duvido que alguém tenha como meta beijar o marido trinta vezes por semana, dizer eu te amo sete dias por semana, elogiar o amado dia sim dia não, ligar para os pais ao menos uma vez por semana, abraçar os filhos todos os dias e beijá-los, sempre, antes de dormirem e quando descerem do carro, dedicar dez minutos sagrados ao ócio, tomar um banho de banheira pelo menos uma vez por mês, ler nove livros e assistir a seis filmes por ano. Mas garanto que tirar o lixo do banheiro diariamente, descongelar a geladeira de quinze em quinze dias, trocar as toalhas e os lençóis as sextas-feiras a maioria nunca esquece.

Que tipo de amor damos e recebemos? É a vida que nos leva ou nós estamos no comando? É justo? Estamos felizes? Está dando resultado? É um prazer chegar em casa? Os naufrágios do coração podem estar sendo sejam impelidos por essa falta de planejamento amoroso. Deixamos que o barco siga a correnteza e não planejamos o destino final. E, sem meta não chegamos a lugar nenhum. Deixa a vida me levar é ótimo na canção do Zeca Pagodinho, é maravilhoso por um mês, uma estação, um porre. A vida toda convenhamos não dá.

Cenários adversos não existem só no trabalho, na vida normal também. É a empregada que fica grávida, o filho que quebra a perna no jogo de futebol, a chuva que detona o telhado, o reboco que cai, o mecânico que não acerta, a porta que empena, o pedreiro que marca e não aparece, o suco que derrama na toalha branca, a taça quebrada que desfaz aquele conjunto caro.

Precisamos é praticar a mesma elegância do comportamento que praticamos nos escritórios. Lá, precisamos pedir com delicadeza, dar bom dia a todos, retrabalho fazemos com mais afinco ainda porque nesse ambiente cara feia pode gerar conseqüências desagradáveis. E em casa o que acontece com cara feia?


Andréa Muller

Jornalista

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