“Ninguém precisa gostar do todo”. Eu aprendi essa descoberta com um elegante e sábio psiquiatra que ajuda os outros por meio do diálogo. Mas eu andava totalmente esquecida de como essa pequena frase é útil e capaz de promover tanta diferença no modo como encaramos nosso dia-a-dia.
Tenho uma crença própria e forte de que não existem caras metades, existem pessoas inteiras que por opção multiplicam o amor, a alegria, dividem a dor, as contas, os problemas. Não existem meio a meio, duas metades, porque quando uma for embora pela morte ou por opção a outra ficará quebrada, partida, a espera de outra metade que poderá simplesmente não chegar. Ciúme também nunca foi um calo no meu sapato. Acho que cada um merece ter seu espaço, suas preferências, seus amigos e uma boa dose de individualidade. Hora de ficar juntos e também separados. Mas minha teoria nem sempre é bem aceita. Existe gente ciumenta de doer e sacanagens completamente desnecessárias. Se alguém está com alguém porque buscar outro ao mesmo tempo? Por que só largar um passarinho quando outro já estiver preso na gaiola? Será por medo de ficar só nesse espaço de tempo?
Fico com o que pensava Mário Quintana: “Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela”. Ou como disse Martha Medeiros “Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.”
Praticar a teoria do “ninguém precisa gostar do todo” ajuda em todas as relações. Para isso é preciso ser bastante observador e aprender primeiro quais são os valores das pessoas. A chave de algumas verdades esconde-se aí. Aprendi com uma amiga vinte anos mais velha que sentimentos e valores diferem muito de pessoa para pessoa. Alguém com vinte anos enxerga a vida com olhos de vinte anos e alguém de quarenta anos com olhos de quarenta anos. Simplista. Não. Realista. É a soma dos anos, as vivências, as feridas graúdas ou os pequenos arranhões que nos torna o que somos. É a bagagem acumulada que nos personaliza.
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