Eu assisto à novela das oito quando estou em casa. Mergulho no enredo e faço parte da história, sem dó nem piedade. Isso significa que choro, sorrio e torço para que as coisas estejam no lugar merecido.
O esperado capítulo de Viver a Vida com a declaração de amor do Miguel para a Luciana foi para ninguém botar defeito. Deve ter sido um dia de audiência alta e de elucubrações da mulherada, pensamentos sobre a relação e até vontades afloradas de dar inicio a um divórcio. Separação depois de um capítulo como aquele? É óbvio! Quem não olhou pro companheiro ao lado e teceu comparações? Fazia muito tempo que eu não via uma declaração de amor tão verdadeira, completa e real. Eram literalmente dois seres apaixonados se declarando dispostos a entrar de cabeça numa relação rumo à felicidade. Existe coisa melhor do que isso?
O diálogo entre eles foi grande e sincero. É novela, eu sei. Mas era perfeitamente possível entre duas pessoas maduras, honestas, apaixonadas e sintonizadas. Tudo na vida depende da nossa ação. Miguel agiu. Ele deu comida pro amor e ele cresceu; ele percebeu a diferença entre viver o amor platônico e partir para o real apostando no tudo ou nada. A graça foi que a outra parte, a Luciana, o alvo deste amor, estava pronta para receber, ouvir, gostar e querer aquela declaração.
Na vida real e nas novelas o insucesso pode acontecer. E acontece. Uma amiga minha acabou de conhecer um cara de cinqüenta e poucos anos, separado, com um filho. Foram apresentados, tiveram uma empatia aparente e partiram pro vamos ver no que vai dar isso, impulsionados pelas infinitas possibilidades. Deu a maior meleca. Por quê? As expectativas eram opostas. Ela mandava torpedos de madrugada dizendo sentir saudades, ligava para desejar bom dia quando ele estava na frente de um cliente. Ela tinha uma receita de conquista que não era a preferida dele e vice versa. Ela era a baba de moça, derretida e doce. Ele o pé de moleque. O que poderia dar não deu, não deslanchou, mal teve começo, e o meio e o fim foi retirado do caminho. Outra amiga comentou que queria muito fazer uma viagem com a filha adolescente para um destino tentador. A menina não queria ir e ela, chateada, pensava o quanto desejou receber esse mesmo convite de sua mãe. Quando eu tinha quinze anos voltei de umas férias e a minha mãe tinha feito uma reforma no meu quarto, com direito a cortina de babados e almofada de coração. Eu odiei tudo e fui bem cruel nos meus comentários. Mas eu amava minha mãe.
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