domingo, 7 de março de 2010

Nós não temos problemas

Eu resolvi banir da minha vida a palavra problema. Está decretado: de hoje em diante eu não vou mais dizer que tenho problemas. Problema é o que aconteceu no Haiti, em Angra dos Reis, catástrofes. É gente perdendo gente querida sem aviso prévio. É ter uma família e no dia seguinte estar órfã. Isso sim é um problemão. Somente isso não tem solução. Problema é barriga vazia, é filho enveredando por caminhos errados, é doença incurável, é falta de trabalho, é divida impagável.

Todo o resto não pode ser chamado de problema. O congestionamento na volta da maior praia do mundo domingo à tardinha não é problema, a menos que você o torne. Se quiser virar o jogo volte com gente querida, carregue uma garrafinha de água, coloque um bom CD para ouvir ou venha conversando.

Se o supermercado estiver lotado e você é contra filas e povo vá quando estiver quase fechando, provavelmente quando você chegar ao caixa não irá demorar mais do que 10 minutos.

Tem gente que consegue transformar tudo em um problema e tem gente que simplesmente é a solução. Existem pessoas com quem se pode falar do marido a decoração da casa, outras é preciso medir tudo o que é dito por que se corre o risco de ter a vida exposta no balcão do BIG. Tem também aquelas que não sei por que vivem tentando ser uma réplica. Com todas aprende-se. Conheço algumas absolutamente justas, sempre, com tudo, em todas as situações. No trabalho, regras iguais, com os filhos afeto divididos identicamente. Outras são mais fortes do que elas próprias imaginam, capazes de criar os filhos dando tanto de si que são exemplos raros de pais. Maria foi corajosa para romper um casamento que lhe impedia de crescer profissionalmente. Deu a volta por cima, voltou à faculdade, arrumou empregos provisórios, abriu de novo um sorriso largo e conquistou um novo amor. Ainda tem uma longa caminhada. Vai chegar lá porque é boa, tem sexto sentido e tem coragem.

Sheila é especial pelo modo como conduz sua vida. No seu lugar muita gente seria, no mínimo, amargurada, mas essa mulher tem, em todas as vezes que nos vimos o corpo magro dentro de um jeans apertado, os cabelos escovados e a mesma voz de esperança, de quem não desiste jamais.

Minha vizinha era admirável. Às filhas tudo. Nenhum aniversário deixou de ser comemorado com bolo e cachorro-quente. Tratava a minha filha como se sua fosse e ensinou-lhe a comer pão molhadinho no café com leite e na geminha mole do ovo. Tivemos silêncios bons, mensagem entendidas, energias trocadas sem culpa, legítimos favores, confiança. Uma mão lavava a outra. Nós a perdemos em janeiro de 2000 e o infinito ganhou um exemplo de gente que nasceu amando, nunca precisou aprender.

Mire-se nos bons exemplos.


Andréa Muller

jornalista

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