Respeito todas as opções de união sacramentadas diante do altar, do juiz, no campo, no mar, ou somente entre o casal, sem nenhuma testemunha. O que vale é a felicidade. Toda maneira de amar, no entanto, envolve dividir a vida, na alegria e na tristeza, a rotina e as finanças, sim, porque esses dois últimos itens indispensáveis estão incluídos no pacote.
Existem mil modelos de relacionamento. Homens que ganham o dinheiro enquanto as mulheres administram impecavelmente a casa. Homens que ganham o dinheiro e ainda administram perfeitamente a casa, enquanto as mulheres fazem apenas parte da decoração.
Há ainda casais onde os dois trabalham, dividem as contas e para por aí. O resto dos afazeres continua sendo responsabilidade da mulher. Homens desse modelo levantam da mesa e acreditam sinceramente que a louça vai sozinha para a pia. E, depois de estarem esparramados no sofá, com os pés na mesinha de centro, acham normal uivar bemnhê vamos tomar um cafezinho, feito pela esposa, é claro. Eles moram na mesma casa há mais de 10 anos, mas não sabem o lugar de absolutamente nada, além de acharem que armários só servem para esconder as coisas. As indústrias moveleiras poderiam fechar suas portas sem problema, desde que as cervejarias funcionassem 24 horas por dia. Prender um espelho na parede para você? Claro! No ano que vem.
Em alguns endereços é covardia, tem gente que não aprendeu a dividir. Uma amiga, feminista e muito feminina tem uma teoria que não é de todo ruim. Ela acha que quando não existe divisão de tarefas melhor seria ficar no esquema de antigamente. As mulheres tinham apenas uma importante missão: ser a jóia preciosa do lar. Administravam recursos financeiros que não tinham nem um pingo do seu suor. Eram mais donas do seu tempo e da sua família, mantinham vigilância com os pimpolhos e, em contrapartida, tiravam cochilos depois do almoço, assistiam Vale Pena Ver de Novo. Nesses casos e somente nesses, argumenta minha amiga, é um prêmio lavar uma loucinha ou bater um bolo. Pior é trabalhar oito horas fora e mais 16 em casa. To fora. Sheila continua sendo minha amiga, mas eu gosto mais dela quando pensamos a mesma coisa, ou seja, que avance o feminismo.
Mas... Existem raridades que sabem onde estão guardadas suas cuecas e meias, encontram no escuro seus chinelos, não apertam o tubo da pasta de dente no meio, baixam a tampa da privada sempre que utilizam este instrumento. São de cama, mesa e banho, um aparelho de jantar completo, com talheres para peixe, inclusive. Sobrando, não conheço nenhum. Estão todos ocupados ou sozinhos, por opção.
Andréa Muller
Jornalista
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